terça-feira, 28 de setembro de 2010

Costumes

Festas / Feiras / Romarias



Vila Nova de Gaia é um Concelho que pelas suas tradições, reveste-se de festas e romarias recheadas de rituais e animação, características destas manifestações populares e que se distribuem pelos diversos meses do calendário.
Longe vai o tempo em que os romeiros saíam de manhã cedo com a merenda previamente preparada, trajados a rigor com vestes que caracterizavam a ruralidade do concelho. Contudo, a imensa fé e devoção incutida nas gentes de Gaia faz com que estas festas e romarias permaneçam com o mesmo tipicismo e o mesmo entusiasmo das festas de outrora.
São Gonçalo sai à rua, para Cumprir a tradição...
Vila Nova de Gaia acolheu, este domingo, a primeira romaria do ano, em honra de S. Gonçalo e de S. Cristóvão. Já é secular a tradição de comemorar a festa em honra de São Gonçalo em Gaia no dia deste Santo. Esta Romaria, primeira do ano, conta com a fervorosa animação dos Mareantes do Rio Douro e das Comissões Velha e Nova da Rasa. A Associação Recreativa dos Mareantes do Rio Douro, desconhecendo-se ao certo a data da sua fundação conta com aproximadamente 300 anos de existência e ao longo de gerações tem mantido a tradição de Festeiros do São Gonçalo. Os Mareantes são um vasto grupo, com aproximadamente 80 homens, e cada vez mais novos adeptos. Os seus Mordomos transportam, durante a festividade, a imagem de S. Gonçalo (padroeiro dos barqueiros do rio), a cabeça de S. Cristóvão (padroeiro das gentes do mar) e um terceiro elemento encarna a figura de São Roque, já as Comissões Velha e Nova da Rasa transportam a imagem de S. Cristóvão e a cabeça de São Gonçalo, os três grupo etnográficos percorreram diversas ruas da freguesia de Santa Marinha e Mafamude vindo a encontrarem-se na igreja de Mafamude na hora do sol se pôr no mar ou melhor dizendo, ao final da tarde, altura em que os fiéis rezam junto ao altar, pedindo que o novo ano lhes seja favorável, não só em questões de saúde, mas também em aspectos mais pessoais, como o casamento, no momento em que os mordomos entram na igreja, as imagems devem estar sempre de costas para o altar como tambem à sua saída, só assim os Mareantes do Rio Douro podem cumprir a tradição.
A romaria, que terá começado na Idade Média, realiza-se sempre no primeiro domingo a seguir ao dia de S. Gonçalo (10 de Janeiro) e foi aproveitada, no século XVIII, para afirmar em Mafamude a antiga autonomia de Gaia face ao bairro de Vila Nova, que era administrado pelo Porto, para aqueles que não o sabem naquele tempo Vila Nova de Gaia estava dividida em duas povoações sendo elas as povoações de “Vila Nova” hoje a zona junto ao cais de gaia , e por “Vila de Gaya” hoje em dia a zona do Candal e a zona do Castelo de Gaia(Lugar de Gaia).
O decreto e criação do batalhão dos Mareantes do Rio Douro.
O documento da criação do batalhão dos Mareantes do Rio Douro data de 14 de Janeiro de 1833. D. Pedro, Duque de Bragança e Regente da Rainha manda que se adopte o plano de organização de dois batalhões.
O primeiro batalhão deveria ser composto por todos os Mareantes que tivessem idade e deveria estar dividido em seis Companhias. O segundo batalhão seria composto por carpinteiros, calafates, tanoeiros, torneiros, ferreiros, serralheiros e cordoeiros, que se deveriam fazer acompanhar pelos respectivos aprendizes que tivessem mais de um ano de ofício.
Os Mareantes do Rio Douro são actualmente uma colectividade com várias actividades de lazer e desporto. Não sabemos ao certo a data da sua criação. Os seus membros têm no estandarte o século XVII como data da sua fundação. Disso não temos qualquer prova histórica, mas podemos alegar que o povo não mente e se referem este século, talvez exista nisto alguma verdade.
Mareante era todo aquele cuja profissão está relacionada com o mar ou com o rio.
A festa de S. Gonçalo que hoje relacionamos directamente como os Mareantes do Rio Douro é-lhes anterior, remontando ao século XIV. Sabemos que as gentes do Rio eram muito devotas de S. Gonçalo; no entanto, os Mareantes do Rio Douro não terão nascido para realizar a festa. As suas origens como associação parecem estar nestes batalhões que organizaram de uma forma mais sistemática, um conjunto de gente com fortes laços entre si.
Depois de terminada a guerra civil este relacionamento ter-se-á mantido, pois no final do séc. XIX já a festa de S. Gonçalo assumia os contornos actuais com a participação dos Mareantes do Rio Douro, integrando os mordomos, as bandeiras e os bombos.
Os Mareantes têm mais de 300 anos, no entanto como grupo organizado para a festa só há referências dos fins do séc. XIX.
Tradição: S. Gonçalo
Todos os anos, em Vila Nova de Gaia é realizada a romaria de S. Gonçalo, a primeira do ano.
O S. Gonçalo provém de Amarante e, segundo reza a lenda, este Santo terá falecido a 10 de Janeiro de 1259. Daí, esta festa popular celebrar-se no primeiro domingo após o dia 10.
Nesse dia, a cidade de Gaia acorda ao som do rufar dos bombos dos mareantes do Rio Douro (freguesia de Santa Marinha) e das Comissões Velha e Nova Rasa (Mafamude).
Percorrendo toda a cidade e levando consigo os seus santos protectores: S. Cristóvão, dos barqueiros do rio; S. Gonçalo, dos Homens do mar, das doenças dos ossos e dos construtores de pontes; e, finalmente, o S. Roque dos antigos carpinteiros navais e calafeiras, protector contra a peste; estes rivais pretendem saudar o bom povo de Gaia.
As cabeças dos santos que transportam são a principal atracão destes cortejos, sendo que os festeiros da Rasa levam a cabeça do S. Gonçalo e os Mareantes do Rio Douro a de S. Cristóvão.
No final do dia, ambos os cortejos se encontram na Igreja de Mafamude e é lá que os de Rio Douro aproveitam para protestar o que lhes pertence, pois acreditam que o padre de Santa Marinha ao mudar para a igreja de Mafamude levou consigo o S. Gonçalo, santo este que dizem pertencer a Santa Marinha. Assim, como forma de reclamar a posse do santo no decorrer do cortejo, afirmam “Ele é nosso!!!” e é nesta altura que os fieis aproveitam para rezar junto ao altar, pedindo que o novo ano lhes seja favorável não só em questão de saúde, mas também em aspectos mais pessoais, como o casamento.
Esta festa popular, com origens que se perdem no tempo foi incorporada em diversas manifestações religiosas e populares, algumas da Idade Média, mas outras do século antes do nascimento de Cristo.
Actualmente, esta romaria tem vindo a perder o seu carácter e importância, sendo cada vez menos as pessoas que se interessam e participam nesta festa popular, embora aquelas que ainda o fazem demonstrem todo o entusiasmo e euforia à volta deste dia de festa.

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